sábado, 29 de novembro de 2008






"Sou um artista de rua,

um artista do mundo"





William Colen é um dos vendedores da FEIRA INTERNACIONAL DE ARTESANATO que está a decorrer desde Outubro no Centro Comercial Dolce Vita de Vila Real. De início estava um pouco nervoso mas com o decorrer da entrevista foi ficando mais à vontade para nos mostrar e contar no que consistia o seu trabalho. E foi, assim, na sua barraca, no centro comercial, rodeado por todos os objectos artesanais que vende que William nos falou da sua vida e até fez algumas peças para nos oferecer.



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Artesanato on line: Quando e como é que começou a trabalhar em artesanato?

William Colen: (mostra-se confuso e um pouco nervoso) Quando?!Comecei a trabalhar em artesanato com 10 anos de idade porque achei muito bonito e muito interessante as pessoas mostrarem-me peças artesanais com muitas cores, muitos detalhes e isso chamou-me a atenção e inspirou-me porque despertou em mim o espírito da descoberta…

A.O.L.: Como é que aprendeu esta arte? É necessário fazer algum curso?
W.C.: Eu não fiz nenhum curso e penso que não é necessário. Eu aprendi com a minha força de vontade…

A.O.L.: Teve alguém que o inspirou/influenciou a seguir este caminho?
W.C.: Tive um tio meu que trabalha em artesanato de madeira, ele faz: carrancas barcos e muitas outras peças artesanais feitas em madeira. Eu achava bonito e decidi seguir o caminho dele.

A.O.L.: Estudou?Tirou algum curso?
W.C.: Eu tenho um curso de hotelaria e outro de salva-vidas… não continuei os estudos por falta de condições financeiras mas tenho o ensino médio concluído… mas quero muito voltar a estudar…


A.O.L.: Tendo um curso em hotelaria porque é que optou pelo artesanato?
W.C.: Eu trabalhei durante muito tempo em hotelaria mas nesta profissão (artesão) eu viajo e conheço pessoas enquanto que em hotelaria tinha que estar sempre no mesmo sítio…

A.O.L.: Na sua região/país existe a tradição de trabalhar em artesanato?
W.C.: Existe. Há muita gente que trabalha em artesanato… por todas as cidades por onde passei há sempre alguém que se dedica a esta actividade.

A.O.L.: Acha que ainda há muitas pessoas que se dedicam a este tipo de trabalhos manuais ou, pelo contrário, é uma arte que está a desaparecer?
W.C.: É uma arte que está a desaparecer… na minha opinião, nos dias de hoje, as pessoas estão mais voltadas para o fabrico de jóias, ouro e diamantes. Esquecem-se que o artesanato vem das coisas mais primárias, ele é a raiz, ele é a base e sustentação do que vemos hoje numa arte em ouro…nasce de uma coisa muito simples:… de uma palha que se transforma num chapéu…

A.O.L.: Considera-se um artesão ou um artista?
W.C.: (Indeciso) Eu acho que um artesão está mais virado para mostrar o seu trabalho tendo em conta o lucro que vai ter com ele, já o artista faz o seu trabalho mediante a sua inspiração e não tanto pelo que pode ou não vender…eu considero-me mais um artista… sou um artista de rua, um artista do mundo…

A.O.L.: Qual é o tipo de trabalho que mais gosta de fazer?
W.C.: Gosto muito de trabalhar com linhas, palha, arame

A.O.L.: Quanto tempo leva em média a produzir cada trabalho?
W.C.: O tempo que for necessário para ele ser bem feito… mas é rápido,só depende de ti!

A.O.L.: O artesanato tem de seguir as tendências da moda? Onde vai buscar a inspiração?
W.C.: Eu acho que quem faz a moda é a própria pessoa… Faço peças para todos os estilos e de todas as cores… Depois cada um faz a sua moda consoante o seu estado de espírito, a roupa que usa em cada dia… A inspiração está em todos os lugares, tudo depende da tua criatividade...

A.O.L.:Qual é a maior dificuldade que um artesão pode encontrar no mercado de trabalho de hoje? Há muita concorrência?
W.C.: Tirando a crise que está a afectar todo o mundo... (pensativo) não encontro mais nenhuma dificuldade…Eu acho que a concorrência em artesanato não existe porque cada artesão faz peças diferentes, por isso, penso que depende mais dos gostos da pessoa que vai comprar…

A.O.L.: Costuma frequentar muitas vezes este tipo de feiras e eventos? Que outras medidas podem ser tomadas no sentido de divulgar esta arte?
W.C.: Sim, frequento. Não costuma ser em centros comerciais mas em feiras internacionais, em outros lugares… Eu acho que faz falta mais publicidade ao trabalho artesanal… A publicidade é a alma do negócio, porém, não se fala muito nesta arte… Não basta expor os trabalhos, é preciso também fazer publicidade de forma a chamar a atenção das pessoas e a mostrar a nossa arte de forma a ser mais valorizada...

A.O.L.: Só vende os seus produtos neste tipo de feiras?
W.C.: Só vendo em feiras e eventos… Ando de cidade em cidade por tempo indeterminado a mostrar o meu trabalho…

A.O.L.: Tem produtos vindos de onde? De que países?
W.C.: Do Uruguai, da Argentina, da Bolívia, do Peru, do Equador, da Venezuela, da Polinésia Francesa, do Nepal, da Índia e do Brasil, claro!




A.O.L.: Que conselhos daria a quem pretende montar um negócio em artesanato?
W.C.: Diria que é óptimo dedicar-se a esta vida se é o que gosta de fazer e se tem talento.

A.O.L.: Gosta desta vida?
W.C.: Gosto!Eu tenho um espírito aventureiro… dá-me muito prazer fazer este trabalho, conhecer novos lugares, novas pessoas, expor a minha arte e ser reconhecido pelo meu trabalho…


















































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